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Os 5 exames essenciais após os 60 anos

Fazer exames regularmente não é sinal de doença. É sinal de cuidado — e o caminho mais direto para manter autonomia por mais tempo.

Ângela Michelon · Neuropsicóloga9 min de leitura2026
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Imagine um carro que roda há 60 anos. Você não sairia com ele na estrada sem uma revisão completa. Com o corpo é a mesma coisa: chegou uma fase em que alguns exames deixam de ser opcionais e passam a ser parte da manutenção.

A verdade é que muitas doenças graves podem ser evitadas ou controladas quando descobertas cedo. Reuni aqui os cinco exames que fazem mais diferença depois dos 60 — o que cada um mostra, com que frequência fazer e o que fazer com os resultados.

Por que os exames importam tanto nesta fase

Aos 60 anos o corpo passa por mudanças naturais. O metabolismo fica mais lento, os ossos ficam mais frágeis, o coração trabalha de forma diferente. Essas transformações são normais — mas precisam ser acompanhadas.

Quem faz acompanhamento médico regular vive mais anos com saúde, consegue manter as atividades que gosta e tem menos complicações. Não é sobre medo. É sobre investir em qualidade de vida e independência.

Os cinco exames

01

Hemograma completo

Um exame de sangue simples e muito revelador. Mostra como estão os glóbulos vermelhos, brancos e as plaquetas — e detecta anemia, inflamações, infecções e alterações que merecem investigação. Muitas pessoas idosas convivem com anemia sem saber, o que causa cansaço, fraqueza e falta de ar. Descoberta cedo, é geralmente simples de tratar.

Frequência: uma vez por ano
02

Glicemia em jejum

O diabetes é silencioso — muita gente convive com ele por anos sem saber. Este exame mede o açúcar no sangue e mostra se você já tem a doença ou está caminhando para ela. Se há histórico familiar, excesso de peso ou pressão alta, a importância é ainda maior.

Frequência: anual, ou conforme orientação médica
03

Colesterol total e frações

O colesterol é necessário ao corpo, mas em excesso se acumula nas artérias — como sujeira que vai estreitando um cano. O exame mostra o colesterol total, o HDL (o "bom") e o LDL (o "ruim"), além dos triglicerídeos. Colesterol alto não dói e não avisa: só o exame revela.

Frequência: uma vez por ano
04

Pressão arterial

É a força com que o sangue bate nas paredes das artérias. Quando fica alta de forma persistente, danifica os vasos e aumenta muito o risco de infarto e derrame. E também não dói — por isso é chamada de assassina silenciosa. Pode ser medida em casa, na farmácia ou no consultório.

Frequência: pelo menos mensal
05

Densitometria óssea

Mede a densidade dos ossos e detecta osteoporose antes que aconteça uma fratura. É especialmente importante para mulheres depois da menopausa. Quando descoberta cedo, existem tratamentos que fortalecem os ossos e reduzem muito a gravidade de uma eventual queda.

Mulheres a partir dos 65 · Homens a partir dos 70

Outros exames que o médico pode pedir

Dependendo do seu histórico, podem entrar na lista:

Sobre a avaliação cognitiva

Este é o exame menos lembrado e um dos mais valiosos. Esquecimentos ocasionais são normais em qualquer idade. Mas quando começam a interferir na rotina — esquecer compromissos importantes, repetir a mesma pergunta, perder-se em trajetos conhecidos —, vale investigar em vez de atribuir "à idade". Muitas causas de alteração de memória são tratáveis: deficiência de vitamina B12, alterações da tireoide, depressão, efeitos de medicamentos e distúrbios do sono.

Como se organizar

Converse com o seu médico e monte um calendário. Anote quando fez cada exame e quando precisa repetir — numa agenda, num caderno ou no celular. Se você ainda não tem um médico de confiança, procure um clínico geral ou um geriatra.

O que fazer com os resultados

Não guarde os exames na gaveta. Leve ao médico e converse sobre o que significam. Se algo estiver fora do padrão, não se desespere: muita coisa se corrige com mudanças de hábito ou tratamento simples — e quanto antes se descobre, mais fácil é resolver.

Fazer exames regularmente não é sinal de doença. É sinal de sabedoria.

Aviso importante: este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Ele não substitui a consulta, o diagnóstico nem o tratamento de um profissional de saúde. Sempre converse com seu médico antes de iniciar, alterar ou interromper qualquer tratamento.
Ângela Michelon
Escrito por
Ângela Michelon
Neuropsicóloga · CRP 12/17776

Especializada em reabilitação e estimulação cognitiva de pessoas idosas, com 28 anos de experiência. Pós-graduada em Neuropsicologia, em Neuropsicologia do Envelhecimento e em Terapia Cognitivo-Comportamental. Sócia fundadora do Grizas.

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