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Pressão alta: sintomas e como controlar

Você pode ter pressão alta e não sentir absolutamente nada. Por isso ela é chamada de assassina silenciosa — e por isso medir é o único jeito de saber.

Ângela Michelon · Neuropsicóloga8 min de leitura2026
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Pense nas artérias como tubulações por onde passa água. Se a pressão fica alta demais por muito tempo, ela vai danificando o encanamento. É exatamente o que acontece com a hipertensão: a pressão elevada machuca as paredes das artérias e aumenta o risco de infarto e AVC.

O problema é que pressão alta não dói. Muita gente descobre que tem quando já sofreu uma complicação. A boa notícia é que ela pode ser bem controlada.

O que significam os dois números

A pressão é medida em dois valores:

De forma geral, considera-se pressão elevada quando os valores ficam persistentemente iguais ou acima de 140 por 90 mmHg. Mas um valor isolado não define diagnóstico: é preciso repetir a medida em ocasiões diferentes.

A meta não é igual para todo mundo

Esta é uma diferença importante depois dos 60 anos: a meta de pressão é individualizada. Para pessoas idosas mais frágeis, ou que sentem tontura ao levantar, baixar demais a pressão pode aumentar o risco de queda e desmaio. Quem define o alvo adequado é o médico que acompanha o caso — não uma regra geral tirada da internet.

Por que controlar importa tanto

A pressão alta mal controlada, ao longo dos anos, pode levar a infarto, AVC, insuficiência renal, problemas de visão e comprometimento cognitivo. Cada um desses desfechos afeta diretamente a autonomia.

Sintomas — e por que não dá para confiar neles

Na maioria das vezes a hipertensão não dá sintoma nenhum. Quando a pressão está muito elevada, podem aparecer dor de cabeça, falta de ar, tontura, dor no peito ou sangramento no nariz. Se sentir isso, procure atendimento.

Mas o ponto central é: não espere sentir algo para medir.

Como medir corretamente em casa

Medir errado gera número errado — e decisão errada. Alguns cuidados simples fazem diferença:

Leve o aparelho de casa em uma consulta para conferir se ele está calibrado corretamente.

O que ajuda a controlar

Reduzir o sal

É a medida de maior impacto. O maior vilão não é o saleiro da mesa, e sim o sal escondido nos alimentos industrializados — embutidos, caldos em cubo, temperos prontos, enlatados, salgadinhos. Use alho, cebola, ervas, limão e especiarias para dar sabor.

Manter o peso adequado

A perda de peso, quando indicada, reduz a pressão de forma consistente. Depois dos 60 isso precisa ser feito com orientação — perder massa muscular junto com gordura é prejudicial.

Movimentar-se

Caminhar cerca de 30 minutos na maior parte dos dias da semana já produz efeito mensurável sobre a pressão.

Moderar o álcool

O consumo excessivo eleva a pressão e interfere na ação de vários medicamentos.

Cuidar do estresse e do sono

O estresse crônico e o sono de má qualidade contribuem para a elevação da pressão. Vale observar principalmente o ronco alto com pausas na respiração — a apneia do sono é uma causa frequente e tratável de hipertensão resistente.

Alimentação

Mais frutas, verduras, legumes, grãos integrais e proteínas magras. Menos ultraprocessados.

Nunca pare o remédio por conta própria

Este é o erro mais comum que vejo. A pressão normaliza, a pessoa conclui que "está curada" e suspende a medicação. A pressão normalizou porque o remédio está agindo. Interromper sem orientação faz os valores voltarem a subir — muitas vezes sem qualquer sintoma até que aconteça uma complicação. Qualquer mudança de dose deve ser conversada com o médico.

Sobre os medicamentos

Quando as mudanças de hábito não bastam, existem várias classes de medicamentos que o médico pode indicar — diuréticos, inibidores da ECA, bloqueadores dos canais de cálcio e betabloqueadores, entre outros. Cada um age de um jeito, e a escolha depende do seu caso, das outras doenças que você tem e dos demais remédios que já usa.

Não existe "o melhor remédio para pressão". Existe o mais adequado para você.

Acompanhamento

Meça com a frequência que seu médico orientar e mantenha um registro simples: data, horário e os dois números. Levar esse histórico à consulta vale mais do que qualquer medida isolada feita no consultório.

Aviso importante: este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Ele não substitui a consulta, o diagnóstico nem o tratamento de um profissional de saúde. Sempre converse com seu médico antes de iniciar, alterar ou interromper qualquer tratamento.
Ângela Michelon
Escrito por
Ângela Michelon
Neuropsicóloga · CRP 12/17776

Especializada em reabilitação e estimulação cognitiva de pessoas idosas, com 28 anos de experiência. Pós-graduada em Neuropsicologia, em Neuropsicologia do Envelhecimento e em Terapia Cognitivo-Comportamental. Sócia fundadora do Grizas.

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